IMPRENSA

Eis aí um pouco do que andaram falando (e do que eu andei falando) sobre o SP55. São todas avaliações positivas,  pena que os grandes jornais , mesmo falando bem, deram pouco espaço. Não seja por isso: ano novo está chegando e eu vou fazer de tudo pra promover o disco. Boas festas !!

  

 

  • ENTREVISTA - Sérgio Britto fala de seu novo disco-solo, SP55
    Conversamos com o Titã Sérgio Britto, que lançou recentemente 'SP55' (destaque), seu terceiro disco-solo. O álbum foi concebido sob a égide de nuances como bossa nova e MPB, com melodias suaves e levadas acústicas.

    A produção ficou a cargo de Emerson Villani, guitarrista que acompanhou os Titãs por anos. Ele também gravou os violões e fez os arranjos junto com Sérgio Britto. Para completar, as cantoras Marina de la Riva, Wanderléa e Negra Li participam de uma faixa cada qual.

    O CD tem um clima de fim de semana em casa com a família. Você está em uma fase mais introspectiva ou, talvez, nostálgica?

    Sérgio Britto: Acho que não é nostalgia. Nostalgia é sentir saudade de algo que já passou. Não é o meu caso. Esse é um disco que tem essa coisa mais ‘cool’ e fala de uma parte importante da minha vida, que é a minha vida em família. Pelo menos, algumas músicas tratam desse assunto. Há canções para os meus filhos e para a minha mulher. Do ponto de vista musical, acho que é diferente do que os Titãs fazem porque se aproxima mais próxima da MPB e bossa nova – do ponto de vista harmônico e melódico. São músicas mais elaboradas, nesse sentido, e as letras mais pessoais em geral.

    Para você, um projeto solo é a oportunidade de desenvolver melhor suas ideias e trabalhar as músicas do seu jeito, ao contrário do que seria em uma banda – no seu caso, os Titãs?

    Sérgio Britto: Na verdade, não é bem um projeto solo. É a minha vontade de desenvolver uma linguagem própria, descobrir uma sonoridade minha, que me identifique e diferencie dos Titãs. Isso é algo que tenho em mente desde o meu primeiro disco. Nos outros dois [discos-solo], havia um pouco desse elemento brasileiro [MPB, bossa nova], que nesse está bem presente. Dessa vez, foquei nisso, até porque era uma coisa que queria para me diferenciar. Minha vontade era a de fazer um álbum de música pop, mas com uma cara explicitamente brasileira.

    Mas a música dos Titãs tem uma imagem bem eclética...

    Sérgio Britto: As músicas de 'SP55' não cabem nos Titãs. É outro caminho mesmo. Apesar de todo o ecletismo que os Titãs têm, acho que músicas desse tipo não caberiam dentro de discos da banda. Não são sobras, não são músicas que poderiam ter feito ou que fizeram parte do repertório dos Titãs. É outro [tipo de] registro. Fui atrás disso de propósito. Acho que descobri uma sonoridade que venho procurando, e no disco está claro que encontrei. É algo que pretendo desenvolver e continuar. Meu próximo disco não será de, sei lá, música cubana, entendeu?

    Então, com 'SP55', você conseguiu estabelecer uma química musical para a sua carreira-solo?

    Sérgio Britto: Exatamente! Acho que é isso mesmo. É o que eu gostaria de desenvolver. É como se fosse, na verdade, o meu primeiro disco-solo. Pode-se falar que 'SP55' não deve nada aos Titãs em termos artísticos. Não é algo que você diga que pareça com as baladas dos Titãs e tal.

    Pois é, o disco não me lembrou Titãs. Nenhuma semelhança explícita...

    Sérgio Britto: Legal! Essa foi a minha intenção. Não queria, e acho até um desperdício, fazer um trabalho solo de sobras [de material dos Titãs]. Isso até pode ter sentido para alguém que tenha um excesso de material, mas eu queria fazer outra coisa. Até para quem é fã dos Titãs é mais interessante ouvir algo que os faça pensar "o cara está tentando uma coisa diferente".

  • Três cantoras fazem participações especiais no disco. A voz feminina encaixa-se melhor com a sonoridade que escolheu?

    Sérgio Britto: É, tem esse lado puramente musical e também há outro lado, o de eu trabalhar há quase 30 anos com um monte de homem [risos]. Então, sei lá, a hora de chamar outras pessoas, me ocorreu de chamar mulheres – mesmo porque cria um contraste legal. Mas há dois instrumentistas que não aparecem como convidados especiais e são caras que têm destaque: Hugo Hori (flauta em 'Eres') e Tiquinho (trombone em 'Samba Errado').

    Qual é a razão para o título 'SP55'?

    Sérgio Britto: O título é, na verdade, bem óbvio: SP-55 é uma estrada. É um trecho da Rio-Santos. Achei legal esse título porque é um pouco metáfora do meu caminho como artista solo. Achei que seria legal [o título] ser o nome de uma estrada. Além disso, costumo passar por essa estrada, que é cheia de contrastes: tem um monte de lixo, muito luxo, violência... Tem o diabo a quatro! Ali é um microcosmo do Brasil. Nesse sentido, também achei bacana [colocar esse título].

    Como serão os shows? O Emerson Villani estará na sua banda para a promoção do disco?

    Sérgio Britto: Eu quero fazer os shows comigo, o Emerson, o José Nigro, que fez alguns baixos no disco, e alguém na percussão que ainda não definimos direito. Talvez eu deixe alguma coisa de programação, do jeito que foi gravado. Não quero trair o espírito do disco. Mas será um tipo de formação bem enxuto.

    Recentemente, o baterista Charles Gavin deixou os Titãs. O quanto isso abalou a unidade da banda?

    Sérgio Britto: Procuramos não nos abalarmos com essas coisas. Óbvio que foi chato e desagradável, até porque estávamos num momento de querer fazer uma banda mais enxuta, com cada um tocando um instrumento, e reinventar uma sonoridade, talvez até mais crua. Era uma vontade nossa para este ano que passou e o que vem. Mas, enfim, não foi possível. Contudo, acho que encontramos um cara muito adequado para a banda, que é o Mario Fabre. Funcionou muito bem. Sempre que aparece alguém para tocar e você sente uma energia boa, uma vontade, aquilo dá um ânimo novo. Com a entrada do Mario deu uma suprida nessa falta que o Charles faz. É óbvio que ainda não fizemos nada novo para saber como vai funcionar e como será a parte de criação. Mas acho que temos chance de fazer algo interessante. A saída do Charles criou uma expectativa maior se vamos conseguir fazer algo ainda mais interessante. Isso é sempre bom para uma banda que já tem tanto tempo e está tão estabelecida como nós. Sentir-se desafiado, mexido, é uma coisa positiva. Estou tentando ver lados positivos em uma coisa que, obviamente, foi ruim.

    Deve ter sido um baque mesmo...

    Sérgio Britto: A princípio, cai mal, mas acho que temos reagido bem. Nós até temos projeto de fazer um disco novo nesse ano [2011], e também gravar um DVD com essa formação. Estamos cheios de ideias. Vamos ver se irão vingar. É aquela história: falar é fácil, fazer é que são elas. Estamos encarando isso como um desafio. As coisas dão volta e é preciso ter vontade, garra e "barato" artístico para fazer a coisa acontecer e se recriar, se reinventar. Acho que ainda temos esse gás. Ainda podemos surpreender.

    Essa expectativa em relação à nova formação não deixa de ser uma chance a vocês mesmos, né?

    Sérgio Britto: É, nós também temos que nos impor desafios. Estamos em uma fase em que podemos seguir burocraticamente ou parar para pensar e ver se não devemos, realmente, arriscar um pouco mais artisticamente. Coisas assim [rompimento], às vezes, te fazem tomar consciência de que talvez valha a pena arriscar um pouco do que levar as coisas burocraticamente.

    Vocês têm carreiras paralelas que têm rendido bons frutos. Imagino que isso deva influenciar no fato de quererem arriscar mais com os Titãs.

  • Sérgio Britto: Da minha parte, gostaria de fazer um disco com os Titãs com essa coisa brasileira mais explícita – obviamente não teria nada a ver com o que eu faço [em carreira solo]. Poderia ser um grande desafio para nós. Não sei se seria um disco bom, médio ou ruim. Mas se nos impusermos desafios assim acho que ainda poderemos render coisas interessantes – já fizemos muita coisa interessante [ao longo da carreira].

    Coisas, inclusive, arrojadas e que deram certo...

    Sérgio Britto: Exatamente! Aliás, quando mais nos arriscamos foi quando deu mais certo [risos].

 

 



Escrito por Sérgio Britto às 13h44
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BLOG DO MAURO FERREIRA

Em seu terceiro solo, 'SP55', titã Sérgio Britto brilha ao flertar com a MPB

 

 

Resenha de CD

Título: SP55

Artista: Sérgio Britto

Gravadora: Midas Music / Universal Music

Cotação: * * * 1/2

 

Enquanto os Titãs atravessam fase de profunda apatia, Sérgio Britto mostra em seu terceiro e melhor disco solo, SP55, que a chama da criação não se apagou. Mais perto das ramificações da MPB do que do rock que estrutura a obra do grupo que lhe deu projeção, Britto se mostra inspirado sobretudo quando apresenta repertório inédito e autoral. A bela canção Júlia, que tangencia o espírito de uma modinha das antigas, logo se destaca no CD entre bom samba encabulado, Sérgio & Raquel, e delicado tema instrumental urdido ao piano, Skateborad (Flipper), alocado entre as 18 faixas como um intermezzo. Com título que reproduz o nome de uma rodovia de São Paulo, SP55 parece disco inspirado pela vida familiar de Britto. "Nossos filhos são nossa religião", sentencia o titã em Nossa Religião, canção tocada ao violão. Nesse íntimo mosaico de sons, costurado com relativa unidade pelo produtor Emerson Villani, Essa Gente Solitária exibe leve ambiência bossa-novista enquanto Wanderléa declama alguns versos do tema. Ainda assim, é perceptível na faixa traços da poética da obra dos Titãs que ficam mais visíveis ainda em Aqui Neste Lugar, redondo tema autoral apresentado no álbum em dueto com Negra Li e em um elegante remix assinado por Drumagick, o duo paulista de drum'n'bass que também formata Pra te Alcançar, música que abre o disco na gravação original feita por Britto com a participação de Marina de la Riva. No todo, SP55  peca somente pelo excesso. São 13 temas autorais, três releituras e dois remixes que totalizam uma hora de música em 18 faixas. Das faixas autorais, uma ou outra, caso de Tempo Não É Dinheiro, soa dispensável como a releitura de Iracema (Adorinan Barbosa), abordada de forma trivial, sem que Britto expresse todo o sentimento contido no melancólico samba-canção lançado em 1956 pelo Poeta do Bixiga. Em contrapartida, as investidas pelos repertórios do grupo mexicano Café Tacuba (Eres) e da banda argentina Soda Stéreo (Ella Usó mi Cabeza como um Revólver) resultam interessantes, dentro do clima desse disco que supera seus antecessores Minha Cara (2000) e Eu Sou 300 (2006). Tomara que a chama criativa de Sérgio Britto reacenda os Titãs.

 



Escrito por Sérgio Britto às 14h43
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