A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA

Sérgio Britto: uma parte da nossa vida está ali. Tecladista dos Titãs fala sobre documentário da banda e se mostra feliz com o resultado Por: Tiago Velasco
Sérgio Britto trocou uma idéia sobre o documentário dos Titãs, “Titãs, a vida até parece uma festa”, que estreou no Festival do Rio. O tecladista revelou ter gostado muito do resultado final, mas confessou que há momentos em que se sente constrangido ao se ver no telão. Simpático, não se furtou em falar sobre os bastidores da banda e sobre a saída de Nando Reis. Confira.
1 - Como foi assistir ao filme no cinema, junto com a platéia? _Eu já tinha visto algumas vezes, mas não com esse tamanho e naquelas condições. Foi bacana. Tem essa coisa emocional, uma parte da nossa vida está ali, estavam os filhos do Marcelo (Fromer), muita gente que participou da nossa vida estava ali. Dá uma coisa diferente.
2 - Você ficou tenso ao assistir ao filme pela primeira vez? _A gente fica muito exposto. A intimidade... Às vezes, me pergunto se é mesmo o caso de expor, mas com o tempo você vai se acostumando com a idéia. É um pouco constrangedor. Mas o filme está muito bem amarrado, tudo ali tem sentido.
3 - Há cenas bem legais, como a escolha do repertório, por meio de votação... _Todos têm o mesmo direito de voto, em tese. Há os conchavos, é como se fosse política de verdade: tem as armações, um puxa o tapete do outro. Vota-se em uma música principalmente porque é sua ou porque você combinou: “você vota na minha, que eu voto na sua”. Música de um só cara é bem difícil de entrar, mas com dois, já começa com dois votos. Mais um que goste, já entra. Apesar disso, o que realmente é bom, acaba passando por cima de tudo.
4 - Há muitas imagens de vocês brincando, interpretando pra câmera. Fica a impressão que é um grupo de amigos sempre se divertindo... _Uma boa parte da história é essa. Mas também são amigos que viram inimigos, que brigam... A parte que estamos de frente pra câmera, como não é um Big Brother, é a gente se divertindo, fazendo uma performance. O lado mais negro não aparece. Mas não deixa de ser uma verdade, até hoje saímos juntos. Tem bandas que cada um se enfia no seu quarto e só se encontra no show.
5 - A saída do Arnaldo foi mais tranqüila do que a do Nando Reis. Você consegue identificar o motivo? _Com o Nando, algumas coisas ficaram mal resolvidas. Com o tempo, você vê que não são tão relevantes, mas que atrapalharam a continuidade da nossa relação. Com o Arnaldo, estávamos no fim de um contrato; com o Nando, estávamos no começo de um contrato, tínhamos acabado de fazer o primeiro disco de um contrato novo. É como se você assumisse um compromisso e depois falasse que não pode ir até o fim. Eu entendo, porque se você não tem vontade, não tem sentido, principalmente quando se trata de arte, música.
Escrito por Sérgio Britto às 13h47
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