SPANISH BOMBS #3

Fala moçada!!

“Como assim? Espanha de novo?“

É – eu sei que esse assunto já ficou meio antigo…… Apesar disso, resolvi insistir no tema. Desta vez os shows na Espanha vão servir apenas de pretexto para tratar de coisas extra-musicais que me chamaram atenção, OK?

Ah! Antes que eu esqueça –

Estou preparando duas pequenas novidades para o começo de setembro: uma sessão “desenhos” com dezesseis páginas de “rabiscos” que fiz durante as férias do ano passado, e a inclusão de todas as músicas do “Eu sou 300” na íntegra, com as respectivas letras. Assim, quem ainda não ouviu o cd vai poder ter uma idéia completa do disco.

É isso aí – vamos ao trabalho!

BARCELONA



Casa Batlló


Estamos há uns quinze minutos circulando, de ônibus, por uma das alas do gigantesco aeroporto de Madrid - comparável em tamanho aos colossos de LA e NY - e ainda não chegamos ao nosso terminal. Aqui, assim como nos Estados Unidos, a paranóia nos aeroportos ainda é muito grande. As bombas que explodiram dentro do metrô de Madrid, matando centenas de pessoas há alguns anos atrás, deixaram marcas profundas. Não era para menos……..

Apesar do vôo ser local, são feitas duas triagens. Uma para entrar na sala de embarque e outra depois que se chega ao terminal propriamente dito. Há filas gigantescas, checagem de passaportes, bagagem de mão, etc. Ainda assim - comparado aos USA - a eficiência dos procedimentos de segurança deixa muito a desejar. O resultado da revista (para um olhar um pouco mais atento) também é altamente questionável……Falta de atenção e desleixo, por exemplo, são coisas que saltam aos olhos. Por conta disso, mesmo estando há mais de três horas nas dependências do aeroporto – quase perdemos o vôo!

Uma vez em Barcelona, novas filas e checagem de passaportes, exatamente como se estivessemos desembarcando de um vôo internacional.
O que era pra ser uma hora de viagem acabam virando seis! Se tivessemos ido de trem, além de ser mais econômico, teríamos ganhado uma horinha e, de quebra, aproveitado a paisagem.
E pensar que optamos por vir de avião em nome do conforto……..

Barcelona é mesmo surpreendente - avenidas largas e prédios futuristas (Barcelona é uma das Mecas da arquitetura moderna) não era exatamente o que esperava ver ao chegar aqui. Para os desavisados vale o registro – este é, com certeza, mais um dos inúmeros atrativos da capital catalã.

Perto daqui, em Cardedeu de la Roca, nasceu o pai de minha mulher, Raquel, José Garrido. Ele foi mais um entre tantos emigrantes europeus que tentaram a sorte no Brasil. Vendo daqui é difícil entender o que levaria alguém a deixar um lugar com tamanho poder de encantamento.





Assim que saímos do aeroporto rumamos direto para a Rádio Catalunya, para mais uma entrevista, a nossa segunda em terras espanholas. No saguão do prédio nos aguarda a produtora X, magérrima e muito simpática falando um mixto de catalão e espanhol que eu custo muito a entender. O Catalão, quando falado, não é uma língua fácil. Aí vai um pequeno exemplo para que vocês possam avaliar por conta própria: “Totes aquestes xifres són tan sols aproximades; malgrat tot, el total de població catalano-parlant el podem situar en unes 10.540.000 de persones”. Deu pra sacar? Parece uma mistura de espanhol, português e francês: apesar de intrincado é extremamente musical e de grande beleza.

Após mais um processo de identificação e mais uma passagem por um detetor de metais ( sim , aqui também!!) entramos na rádio. Desse vez todos participam da entrevista, Camilla fica em stand by para ajudar em qualquer eventualidade e os Titãs , excetuando a minha pessoa, respondem em português mesmo.
A garota que nos entrevista está extremamente bem informada sobre o nosso trabalho e vai levando a conversa parte em espanhol, parte em catalão. Aqui todos fazem questão absoluta de manter a língua viva: metade da programação da rádio é transmitida em catalão.

Resumir 25 anos de atividade artística em pouco mais de meia hora não é tarefa fácil mas, a grosso modo, acho que deu pra dar uma idéia do que andamos fazendo esse tempo todo.

Uma vez terminado o trabalho descemos rapidamente para tomar uma guiness (a mão já estava tremendo!) num pub ao lado da rádio. Poucos instantes depois estamos no hotel “Grand Marina” localizado quase em frente à Plaza Colombo e a “Las Ramblas”.
É tomar um banho e descer para jantar no “Siete Puertas “ restaurante especializado em paella indicado por uma amiga.

Depois de comer regiamente saímos andando ao léu pela cidade. Subindo por Las Ramblas vamos até o bairro gótico. Apesar da hora, as ruas estão cheias de gente de todas as cores e tipos.

De imediato duas coisas me chamam a atenção. É possível aqui, diferentemente do Brasil, por exemplo, distinguir claramente gente de origem africana – negros muito escuros – e espanhois ou turistas em geral. Muitas desssas pessoas devem ter chegado a Barcelona recentemente, fugindo da miséria que assola boa parte territorio africano. Carlos Anglada (o colecionador de discos de que falei num texto anterior) já havia me alertado para o fato de que aqui, essa situação é dramática e constante. Diariamente saem balsas, barcos, etc, do continente africano em direção às Ilhas Canarias e ao litoral espanhol – “viajam em condições precarias e arriscam a vida em troca de um pouco de esperança”. Parece que já ouvi essa história antes…..

Outra coisa que, de cara, me surpreendeu no nosso passeio noturno foi que no bairro gótico e imediações, há sim, pichações, mas nenhuma é feita nas paredes das construções, sejam elas históricas ou não. Apenas as cortinas de ferro estão pichadas. Tendo em vista a quantidade de malucos que vive aqui, isso parece ser um pequeno milagre do espírito cívico que habita esta bela cidade catalã.

Chegamos exaustos ao hotel. Amanhã antes do show, sei que me aguarda uma programação mais intensa ainda. Raquel só havia estado em Barcelona uma vez na vida, aos oito anos de idade. Voltar aqui, adulta, grávida, e poder reavivar a lembrança do pai querido (falecido há mais de dez anos), é algo que a deixa em estado de graça. Não caberia a mim fazer corpo mole.



Escrito por Sérgio Britto às 15h02
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SPANISH BOMBS #4

GAUDÍ, DALÍ Y MUCHO MÁS!



Teleférico de Montjuïc


“Buenos dias, este es su llamado de despertar”. Pulamos da cama logo cedo e saímos em direção à “Las Ramblas”. Subimos por aí até a Plaza Catalunya e finalmente chegamos à “Casa Batlló”.

Poucas coisas causaram em mim o impacto que sofri ao entrar na Casa Batlló. Já conhecia de fotos, livros, etc, mas estar alí de corpo presente é outra coisa. Tudo nesta “Casa” foi pensado como “obra de arte”. Cada ambiente, cada maçaneta, cada cadeira, cada rodapé… Nenhum detalhe escapa. A riqueza de materiais e soluções plásticas também impressiona. Ficamos alí muito mais tempo do que haviamos previsto. As formas orgânicas da estrutura da casa nos dão a impressão de estarmos dentro de um corpo vivo. Ferro, madeira, cerâmica,vidro, azulejos, enfim… Tudo ajuda a criar o clima de sonho que anima o lugar: aqui a imaginação parece não ter limítes. São poucos, mesmo nos dias de hoje, os arquitetos que pensam “casas” assim: onde o aspecto “funcional” não é desdenhado mas não predomina exclusivamente.

Em Madrid já haviamos passado uma boa parte do nosso tempo em museos. Mais precisamente no ”El Prado”, com seus Velazques e Goyas; e no “Reina Sofia”, onde o forte é a produção contemporânea.
Foi incrível poder ver as obras de Velazques. Especialmente levando em conta a leitura que fiz recentemente do livro de David Hockney ( o comentário está no post de 01/02/2007). Observando tudo de perto fica ainda mais evidiente o uso que muitos desses pintores fizerem de recursos ópticos: a desproporção entre os membros das figuras, os vários pontos de fuga, o foco “fotográfico”…Tudo isso visto “ao vivo” torna a visita muito mais interessante.





O que mais me encantou no “Reina Sofia” foram as pinturas de Dalí e a sala com o “Guernica” de Picasso. Este último tem tratamento de Super-Star. Com direito a vigia exclusivo, cordão de isolamento e uma sala enorme com muitos estudos e fotos da obra em diversas fazes. As cores, os detalhes, a beleza dos traços…Realmente - nada como ver “the real thing”.

Como disse, o tempo passou e nós nem notamos. Já estava quase na hora da passagem de som. Saí às pressas para o hotel e deixei a Raquel à vontade para explorar a cidade.

O Razzmatazz é uma casa de shows muito conhecida em Bracelona. Toda banda de médio porte passa por aqui. Para vocês terem uma idéia, na mesma semana em que tocamos se apresentaram o Sucidal Tendencies e o Block Party.
O maior público que tivemos foi o dessa noite. Um camarote foi reservado exclusivamente para a embaixada Brasileira. Até mesmo o Consul deu o ar da sua graça. É verdade que eles não pareciam muito animados mas o restante do público compensou, dando o mesmo show de energia e vibração que haviamos visto em Madrid.

Manhã de 02/06 2007: estou me sentindo uma espécie de Zumbí, dormir nesta viagem é , definitivamente, artigo de luxo. Acordamos cedo e vamos direto ao Montjuïc. Lá estão a “Fundacion Miró,” e o “Estádio do Barça”. De teleférico pode-se ir até a fortaleza que há no topo do monte. Lá do alto, a vista é de tirar o fôlego: de um lado o mediterrâneo do outro a cidade e as cadeias de montanhas.
Paramos, depois, num restaurante com vista para a cidade. Bebemos e comemos até nos fartar: deixar de fazer isso aqui seria cometer pecado mortal!

Ainda fomos , ao cair da tarde , visitar a “Sagrada Família”. Entramos e andamos pelo piso térreo (a catedral parece estar eternamente em obras) , mas não subimos.

Voltamos para o hotel, tomamos um banho rápido e saímos novamente rumo ao Razzmatazz. Hoje tocamos para uma platéia realmente pequena: cinqüenta pessoas no máximo. Ao final do show me sinto íntimo de cada uma delas… Acreditem ou não, às vezes shows assim podem ser extremamente gratificantes. Para mim, este, foi o melhor show da “gira”, e não estou fazendo gênero não!

Temos ainda um “day off” antes de embarcar para o Brasil, a programação continua no mesmo ritmo: Parque Güell, Casa Millá, Palau de la Música, etc.

No dia seguinte, madrugamos para poder fazer com calma todo o procedimento de embarque. Já no “finger” antes de entrar no avião (somos os primeiros da fila) vemos chegar, pela pista uma van da polícia . De lá, descem e sobem pela escada lateral até o avião, de cabeça baixa e algemados, aproximadamente dez brasileiros.

“Crianças iraquianas fugidas da guerra não obtém visto no consulado americano do Egito para entrarem na Disneylândia”.

Ironias à parte – o mundo está cada cada dia menor, não é mesmo?


Escrito por Sérgio Britto às 14h58
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