VITÓRIA!!
São Paulo 19 de abril
Estou no saguão principal do aeroporto de Congonhas aguardando a chamada de embarque do vôo 3106 da TAM para Vitória ES. São dez horas da manhã. Vou fazer, ainda hoje, uma participação especial no show do Alexandre Lima - segundo alguns, o maior nome Capixaba em atividade no cenário pop-rock Brazuca.
Ele é cantor e compositor, além de multiinstrumentista, do “Manimal” banda de reggae com tons de ritmos locais (uma variação do congo) que tem também público cativo em várias capitais européias. O show é o que inaugura o projeto Alexandre Lima Experienza, no Bliss Bar, com direito a convidados especiais ( mês que vem é a vez do Dado Vila Lobos), na primeira quinta-feira e cada mês.
A viagem começa bem: tudo indica que o vôo vai sair no horário previsto e o aeroporto não está muito cheio. Embora a aeronave (foker 100) esteja longe de ser uma das minhas favoritas - o som de enceradeira das turbinas nas poltronas traseiras do avião é quase insuportável e, como vocês devem saber, o “bichinho” já protagonizou mais de uma cena de terror e tensão no espaço aéreo brasileiro - não tenho do que me queixar
Quase duas horas se passam entre a leitura do jornal, algumas canções e uma conversa animada com o Nelson Damascena (desta vez é só ele quem me acompanha na viagem) meu empresário pessoal e gerente da Cíclope ltda.

Ao desembarcar em Vitória, já nos esperam Alexandre e Cris. Duas figuras simpáticas e imediatamente identificáveis como sendo do meio musical. Cris , de cabelo raspado, é produtor do evento e programador da rádio universitária e Alex , de cabelo encaracolado e com um “que” de Chico Cience, é “o cara”.
Nos cumprimentamos rapidamente e em poucos instantes estamos dentro do carro. Alí sentados no conforto de uma poltrona de couro e com o ar condicionado no máximo seguimos rumo ao Mercury hotel.
O papo rola fácil, sem travas. Parecia até que já nos conheciamos. Algumas coincidências , creio eu, ajudaram a dar esse ar de inimidade e camaradagem. Alexandre é brother de Sérgio Boneka que já havia falado dele em mais de uma ocasião. Até por isso, senão pela música em si, resolví incluir “Chulapa free” do meu cd solo no set list que vamos fazer mais tarde.
“ E aí deu pra tirar as músicas?” – “Beleza, tá tudo na mão, pegamos o Chulapa lá no teu site”. Paramos no hotel e combinamos de nos encontrar mais tarde para almoçar……….
A chef de cuisine do hotel, simpática e classuda, é mulher do empresário do Alex, Edú. Os dois se conheceram por obra do acaso numa parada não programada que os caras fizeram em Paris durante a turnê européia.
No almoço, degustamos um maravilhoso penne à primavera acompanhado de picanha grelhada. O Nelson , no jantar, deliciou-se ainda com a lazanha de sirí, prato criado pela nossa anfitriã.
Já quase no fim da refeição chegam Cris e Alex. A conversa recomeça do ponto em que tinha parado e no mesmo ritmo -
“ Já te falei que meu disco solo vai ser gravado para um selo Espanhol?” - “Ah é ? Os Titãs vão tocar em Madri e Barcelona no final de maio” - “Conhece o “Macaco?" - “Não, não conheço” - “Eu tenho um projeto com o Bino e o Da Gama do Cidade Negra de MPB e reggae: a gente toca MPB em ritmo de reggae. Quer participar?
A conversa poderia não ter fim não fosse o Nelson nos chama de volta à terrra - “E aí Cris, tá tudo pronto lá? Vamos passar o som?”
Depois de checar microfones e intrumentos passamos as songs programadas. Decidimos incluir também “Será “ da Legião Urbana. - “Vamos fazer alguma coisa só nós dois !” sugere Aléx – “OK mestre, que tal "Será" da Legião?" - Tudo a ver!” Como o Dado é o convidado do mês que vem vai fazer todo sentido. Eu no violão e na voz e o Alexandre tocando sax e cantando. Ficou diferente.OK!. Missão cumprida! Em um piscar de olhos estamos de volta ao hotel, daqui a algumas horas a coisa será pra valer.

O Bliss Bar fica a umas poucas quadras do hotel. No caminho já dá pra notar que esse é o lugar onde rola o melhor agito da cidade. Bares , restaurantes e boates, muitos deles com som ao vivo, se aglomeram numa espécie de triângulo das Bermudas do litoral Capixaba. O Bliss Bar, todo envidraçado e com longas escadarias de alumínio, fica numa dessas muitas esquinas . O que acontece lá dentro , do lado de fora, ninguém vê.
Entramos pela porta lateral e subimos imediatamente ao mezanino. O dono da casa nos coloca num canto onde temos privacidade, bebida à vontade e uma vista privilégiado do show da noite que acacaba de começar.
Aos poucos a conversa de mais cedo vai tomando forma de música. Ouço com surpresa e agrado “Magrelinha” do Luis Melodia em ritmo de reggae (esse projeto deve ser interessante mesmo! ). Na mesma batida, Legiao Urbana e Barão Vermelho também marcam presença. Trechos de música cantadas em espanhol, muito suingue, e climas viajantes tomam conta do ambiente enquanto o Alexandre se reveza no teclado, na guitarra e no violão. Aliás, o cara levando um tema do folclore local, sozinho, ao violão foi, pra mim, o ponto alto do show.
São quase duas horas da manhã e, pelos meus cálculos, deve estar chegando a hora de eu ter que justificar tanta gentileza para com a minha pessoa. Antes que isso aconteça no entanto uma figuraça alucinada toma conta do recinto com seus dreadlocks pra cantar um clássico do Bob Marley.
Pouco antes de me convidar a subir ao palco o Alex leva um som funkqueado, do Manimal ( uma espécie de batidão) e emenda em “Bichos Escrotos’. Quando chega a minha vez de cantar a cama já está feita - é só deitar e rolar.
Homem Primata é a primeira do nosso set list e rola bem, mas só até a parte instrumental…. Aí a banda se perde e fica segurando o groove em um acorde - antes de puxar de volta o refrão, arrisco improvisar. - “Acima dos homens, a lei! E a acima da lei dos homens, a lei de deus! E acima da lei de deus…... Somente a Porra da grana!!!. …..Quem já foi a algum show dos Titãs deve ter me ouvido dizer isso .
Logo em seguida tocamos “Go Back” sem nenhum tropeço do começo ao fim. Afinal de contas, os caras entendem do riscado! Pra mim foi bacana: cantei em espanhol! Acho que em Madri e Barcelona vou repetir a dose.
De enfiada tocamos “Chulapa free” (desnecessario dizer que foi a que eu mais curti) e “Aluga-se”. Logo em seguida o Alexandre chama o meu chará, Sérgio, do Espírito de Porco” (banda cover que só leva sons pauleira dos Titãs) pra dividir os vocais comigo em “Será que é isso que eu necessito?”. O cara manda muito bem! Alguns gritos me lembram o jeitão do Branco Mello cantar. Para fechar com chave de ouro, só pra variar, “Epitáfio”!
This is the end, beautiful friend! Pois é Vitória é uma beleza: boa bebida, altíssimo astral, belas mulheres e cordialidade à toda prova. Antes de colocar a viola no saco ainda atacamos “Será “ para que todos pudessem gritar em alto e bom som “Será só imaginação?” Pode até ser, mas como dizia Raulzito parafraseando (ou será plagiando mesmo?) John Lennon – “Sonho que se sonha junto não é sonho. É realidade!!”.
PS - as fotos são cortesia do Alexandre e da Paulinha,. Valeu!
Escrito por Sérgio Britto às 20h36
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