SHOWS, ETC
AGENDA –
19/04 -Vitória ES. Participação especial cantando 5 músicas no projeto Alexandre Lima convida. No Bliss Bar às 22 hs.
11/05 - São Paulo SP. Show solo com banda. No Sesc Santana.
20 ANOS DE “JESUS NÃO TEM DENTES NO PAÍS DOS BANGUELAS”
Semana retrasada falei com o jornalismo da MTV, sobre o “Jesus não tem dentes no país dos banguelas” . Já tinha tratado, por alto, do mesmo assunto com a Faby Yoko para o zine “Palavras”. Não é a toa! Em novembro o “LP”, um dos mais importantes da discografia Titânica, completa 20 anos. Apesar de já ter feito inúmeras entrevistas a respeito da parte musical do disco, raramente comentei a parte gráfica….. Para quem não sabe, sou responsável pela capa não só do cd em questão mas de vários outros dos Titãs. Na materia da MTV falei pela primeira vez sobre essa e algumas outras curiosidades com algum detalhe. Isso despertou em mim a vontade de deixar um pequeno registro aqui, para apreciação de vocês, sob esse mesmo ponto de vista. Aí em baixo o resultado da empreitada: garanto que não vai desagradar a nenhum Titanomaníaco.
CURIOSIDADES
Em 1987 os Titãs desfrutavam de um prestígio raro entre as bandas de rock tupiniquim. Não só perante o público mas também (pásmem!) junto a crítica especializada. Naquele ano um fato foi emblemático para nós e ilustra muito bem o que estou tentando dizer.
O final da gravação do “Jesus não tem dentes no país dos banguelas” coincidiu com a nossa primeira participação em um grande festival de rock. Dividir o palco com bandas gringas, assim como tocar para platéias acima de 50.000 pessoas, ainda era novidade para os Titãs e fato raro entre artístas brasileiros. Naquele fim de tarde de novembro de 87 saímos às pressas direto da última sessão de gravação no “ Nas nuvens” para o palco do Hollywood Rock na praça da Apoteóse. Apesar de mal termos tido tempo de ensaiar (tocamos seis músicas inéditas!) o show que fizemos naquela noite acabou sendo eleito o melhor do festival - entre artístas nacionais e internacionais - tanto pelo público quanto pela crítica. Isso, é claro, era conseqüência direta do sucesso da turnê e do disco do ano anterior.
Outro fato interessante que poucos conhecem é o de que, no decorrer daquele ano, fomos convidados para fazer o show de abertura da turnê mundial do Prince, então no áuge da popularidade. O convite chegou a nós atravez do presidente da Warner no Brasil, André Midani, e incluía uma temporada de ensaios em Mineápolis sob a batuta de Prince “himself”. Como é de conhecimento público nada disso acabou acontecendo, mas houve sim interesse real confirmado mais de uma vez pelo próprio André. A impressão geral naquela época era a de que tinhamos conquistado definitivamente, do ponto de vista artístico, carta branca para fazer o que bem entendessemos.
A CAPA

A capa do “Cabeça Dinossauro" (a primeira feita por mim) já contrariava o padrão das capas de disco de banda feitas na época. A idéia, agora, de usar colunas gregas em preto e branco e letras “espelhadas” não foi, a princípio, unânime nem entre os próprios Titãs. Durante um bom tempo, no que diz respeito a esse aspecto do disco, reinou entre nós a indecisão: todos tinham, como sempre, mil sugestões e palpítes a dar. Acho que o Arnaldo chegou a apresentar uma outra opção de capa e até mesmo o Charles se arriscou a elebaborar uma idéia…..Entre nós, é bom deixar claro, nunca ninguém teve “lugar cativo”. O fato de ter sido eu o autor, no ano anterior, da “ capa do ano” pouco importava. Sempre vencia o melhor conceito. Acho que nesse sentido a minha argumentação foi decisiva para que todos acabassem se convencendo de que o meu projeto gráfico representava melhor a música que estavamos fazendo.
A idéia era aparentemente simples e, modéstia à parte, muito bem amarrada –
Oito colunas gregas, quatro na capa e quarto na contra capa, tudo em preto e branco e com economia máxima de informações. Naquela época os Titãs eram oito e aquele era o nosso quarto disco - a alusão à origem do nome da banda na mitologia também era feita vizualmente ali. Aquelas colunas e vãos, vistos em alto-contraste (com um pouco de boa vontade e imaginação) pareciam, a meu ver, sugerir a imagem de uma boca banguela estilizada.
Para finalizar, havia ainda a maneira escolhida para escrever o título do disco: algumas letras foram “espelhadas”, invertidas. A minha intenção era, usando desse artifício, fazer uma escrita “semi-analfabeta” (quando as crianças estão em processo de alfabetização este é um erro extremamente comum) para aludir também ao”país de banguelas” do título do disco. Difícil foi convencer a todos de que aquilo tinha um sentido e contríbuía decisivamente para o brilho da capa………. O argumento da dificuldade de leitura quase derrubou a idéia. No fim das contas, graças a deus, o projeto original vingou. Quando o Rogério Duarte foi fazer a capa do “Como estão vocês?”, para se situar, quis ver as dos nossos trabalhos anteriores. “Dessa eu gosto!” - disse ele, logo de cara, ao dar uma passada de olhos pelos cds. Concordo. Até hoje, dos trabalhos gráficos que fiz para a banda - “Cabeça Dinossauro”, “Go Back”, “Domingo” - esse e o meu predileto.
Escrito por Sérgio Britto às 09h33
[ ]
[ Envie esta mensagem ]
JORNAL DA MTV
  
Nessa quinta (dia 12) às 20:30 no jornal da MTV (ao vivo) não percam!
Escrito por Sérgio Britto às 22h55
[ ]
[ Envie esta mensagem ]
|